Parto de Itarema como quem parte dizendo adeus ao que esquenta, o sol está escaldante e mesmo com tanto vento que fez derrubar e quebrar as varetas da barraca, o mormaço é incrivel, bom para os gringos que vem de ´´ruma´´ fugindo do frio de sua terra e ficam tão vermelhos com o calor que chega a ser engraçado. Saio às 15 horas depois de um bom banho e de ter lavado minhas roupas, a coisa dificil é lavar roupa, dá uma dor fudida nas costas, mas é isso, quando voltar da cidade coloco na maquina de lavar e espero secar e esperar secar é o melhor, aqui com o calor e o vento as roupas secam rapidinho. Pedalar ontem foi algo tão irreal, florestas de carnaúbas me rodeavam, o asfalto não estava lá essas coisas, mas quase não passavam carros, e quando pasavam vinham como quem vê o ´´cão´´.
De início queria chegar em Cruz, cidadezinha com ar de serra, gramados na praça, igreja bonitinha, ar de natal ainda, passei reto, fiz carreira até Jijoca, pois o sol já estava dando seu adeus e não queria pedalar a noite. Jijoca é uma área de preservação ambiental, cidadezinha que antescede Jericoacoara, uma das praias mais visitas por turistas do Brasil, do mundo. Eu nunca estive lá pra ver o que passa, só conheço por fotos e mal, mas penso em passar o fim do ano lá. Para chegar em Jijoca não foi fácil, digo que não foi fácil não pelo caminho, mas pelo cansaço que tive que correr contra o tempo, pedalei conversando com o sol, grande astro que ilumina os caminhos, o meu foi até 5:50.
Como ontem foi domingo, os bares estavam cheios, o forró truando e muita gente passando de moto, a moto é um dos transportes mais utilizados dessas localidades, são adolescentes, mulheres e homens que fazem uso; fácil ver 3 pessoas em uma moto, é objeto de desejo por eles. Ao escurecer, parei em uma bodega que estava fechada para descançar e aproveitar pra preparar uma das mais saborosas receitas da culinaria indígena, tapioca, mas a minha foi tapioca misturada com granola e azeite, de fato, deu vontade de comer mais, porém a goma tinha acabado, o jeito foi tomar um banho, arrumar as coisas, pegar a lanterna e seguir na estrada. Faltavam 4kms para chegar e a escuridão da estrada me deu medo, medo de não sei o que, mas cantei, cantei pras estrelas, pro meu caminho, para a natureza, e que beleza. Na entrada de Jijoca perguntei a um guia que passara de moto onde poderia armar uma barraca em um canto tranquilo, e ele me mandou ir para a pousada Gincoara que chegando lá dissesse que era amigo do guia Andeilson (acho que é esse o nome), pois não deu outra.
A pousada é muito agradável, possuindo várias árvores e um espaço amplo de estadia.